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A estrada de Ferro Bahia-Minas

História

Em meados de 1924 Inaugurou-se a Estrada de Ferro Bahia Minas, com 548 km de extensão foi construída no final do século passado por decreto do Imperador Pedro II. Com a finalidade de proporcionar a Minas Gerais uma saída mais curta para o mar, aproveitando a trilha natural que se abria através dos vales Mucuri e Jequitinhonha, e o potencial do porto de Caravelas no extremo sul da Bahia. A obra se realizou poucas décadas após o início da colonização do Vale do Mucuri pelo político e revolucionário Theófilo Benedito Otoni, um visionário que sonhou antes de todos com um caminho para o mar através do nordeste mineiro, então selvagem e inóspito. (Revista Cultural, Ciências sociais, 1995, p 4 – 10)

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Esteve a Estrada de Ferro Bahia Minas arrendada, durante vários anos ao senhor José Bernardo de Almeida, cidadão de nacionalidade portuguesa, um homem empreendedor e progressista. Esteve também em poder de uma Companhia francesa, ávida de lucros.
Como as estradas de ferro do Brasil teve também a Bahia Minas o seu Centro de Assistência e Cooperação Educacional à Família dos Ferroviários (CACEFF), o qual é filiado ao Serviço de Assistências e Cooperação dos Ferroviários, distribuindo-se impostos (PACEF).
A diretoria da estrada iniciou em 1950 a construção de um confortável hospital de dois pavimentos para os ferroviários, situado no perímetro da estrada.
Das cinqüenta e sete turmas do pessoal da conservação da linha existentes na Estrada de Ferro Bahia Minas apenas dezoito possuíam escola pública e ensino primário.
A diretoria da estrada, no sentido de resolver de vez, os problemas do analfabetismo existente, promoveu a instalação de escolas nas outras 39 turmas, onde seriam escolhidas a esposa ou filha de uma das famílias da turma de melhor preparo e habilitação para ensinar às crianças.
Nas estradas, haviam associações esportivas autônomas, organizadas para a prática de futebol, basquete e vôlei.
Em Teófilo Otoni, Ladainha e Ponta de Areia se encontrava a praça de esportes, sendo que em Ladainha foi construído o primeiro campo de futebol iluminado da época.
A diretoria da estrada, no propósito de melhorar quanto possível as condições de vida dos seus servidores, construiu casas higiênicas em substituição aos antigos ranchos.
Dentro dos moldes traçados pelo Ministério da Agricultura funcionava uma cooperativa de consumo, da qual fazia parte todos os servidores da estrada incluindo o diretor.
No primeiro momento a Estrada de Ferro Bahia Minas não trouxe o desenvolvimento tão esperado por seus idealizadores. A localização geográfica isolada dos centros do país, dificultava a implantação de uma estrutura comercial e financeira eficiente, fator preponderante para as dificuldades que se seguiram.
Caracterizada basicamente pelo setor agrícola, a região tem uma ascensão principalmente em função da produção de milho e feijão, e posteriormente da produção de café e extração de madeira.
A ferrovia assumiu um papel determinante no crescimento da região, tornando-se ainda o elemento direcionador da expansão física das cidades.
Com o advento do automobilismo, o governo começou a preocupar-se com as estradas de rodagens, que foram construídas em todo o país, e as ferrovias foram entrando em decadência, destinadas apenas para o transporte de grandes cargas. Atualmente, resta muito pouco daquele trem mineiro, carregado de retirante, ou mesmo das charmosas Marias Fumaça, que existem apenas como atração turística ligando pequenos trechos.
No ano de 1966 deixamos de ouvir o apito poético e até mesmo o tinir do sino nas estações que anunciavam sua partida. As únicas lembranças que temos da Estrada de Ferro Bahia Minas são as estações, as casas dos agentes e a máquina nº 01, que se encontra exposta na Praça Tiradentes em Teófilo Otoni.
A Estrada de Ferro Bahia Minas, trouxe para a região de Novo Cruzeiro, o caminho para o progresso. Abriu horizontes, perspectivas de vida, vilas e cidades. Com ela vieram as escolas, idéias novas, a ampliação do comercio e o incentivo a agricultura, pois era também um transporte de cargas. A ferrovia ligava a região, ao mar, ao comercio, ao mundo. Foi durante décadas, o único meio de transporte ao alcance das classes menos favorecidas.
Acredita-se que a extinção da ferrovia aconteceu para satisfazer interesses de empresas automobilísticas, ameaçadas pelo pequeno volume de vendas de automóveis. A desativação teve um custo maior do que se houvesse investimentos na sua recuperação. Segundo depoimentos, não deixou apenas saudade, mas em cada estação por onde passou, vê-se, ainda que interrompidas, as marcas do desenvolvimento.
Atualmente, sabendo-se da exploração de uma jazida de mármore na região de Queixada, renasce a esperança da sua volta, para a retomada do que ficou.

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