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História de Novo Cruzeiro

Foto de Novo CruzeiroA História de Novo Cruzeiro iniciou com a chegada do desbravador, Sr. Anastácio Roque.

Até o início da segunda metade do século XIX toda bacia do Rio Gravatá ainda era inabitada. A região teve seus primeiros habitantes com a criação da Fazenda Lagoa, hoje distrito de Queixada, Fazenda do Bom Jesus, hoje distrito do Lufa e Fazenda Gravatá atual Novo Cruzeiro.

Saindo de Araçuaí e seguindo o rio de mesmo nome, o desbravador entrou no afluente Rio Gravatá, em busca de pedras preciosas. Ocupou a sub-bacia do Riacho São Francisco e onde hoje está o Bairro Puxa, Sr. Anastácio Roque e toda equipe acamparam, fundando ali a primeira residência. Mas as pedras preciosas foram tão poucas que logo decidiram parar com o extrativismo e deram início a agropecuária, tornando grande proprietário de terras então pertencentes ao município de Araçuaí.Devido a grande quantidade de gravatá que existia, fruto da família do abacaxi, sua propriedade recebeu o nome de “Fazenda Gravatá.” Das três propriedades, aquela era a de menos movimento por localizar-se mais distante da sede.

Anastácio Roque não trouxe consigo escravos, propriamente ditos. Um negro bom de serviço custava muito caro e a região não oferecia retorno financeiro capaz de garantir grandes lucros. Também o processo de abolição já estava acontecendo, e muitos fazendeiros já optavam pela mão-de-obra assalariada. Quem garantia sua produção eram os chamados “camaradas,” na realidade semi-escravos. Como a maior parte dos agregados eram negros e mulatos, eles tiveram a permissão de construir uma pequena capela para louvar o santo protetor da raça negra, São Benedito, e em torno daquele humilde templo, erguido com varas e barro, formou-se uma pequena vila de casebres rústicos, recebendo o nome de “Povoado de São Benedito.” As pessoas da época falavam: “Povoado São Benedito da Fazenda Gravatá.” Com o tempo, aumentou a população de brancos, e o santo dos negros caiu no esquecimento, restando apenas “Vila Gravatá.”

Muitas pessoas morriam com picadas de cobras venenosas, o índice era tão elevado que deixava a população assustada. No ano de 1917, com o objetivo de resolver o problema, o bispo da diocese de Araçuaí, Dom Serafim Gomes Jardim da Silva, ordenou que construísse uma capela para o santo protetor da humanidade contra cobras e todos bichos peçonhentos, São Bento. E assim foi feito, a antiga capelinha de São Benedito cedeu o espaço para a outra construção, porém com alvenaria mais moderna. O terreno foi doado pelo fazendeiro, Sr. Joaquim Esteves da Silva Pereira, filho de Pedro Pereira da Silva e de Rosa Esteves da Conceição. Casado com Dª Letícia Roque Esteves, sobrinha de Anastácio Roque, filha de Humberto Roque Esteves e de Rita Alves. Como a área doada era bastante grande, muitas pessoas construíram residências no terreno de posse da diocese. Caracterizou-se um novo aspecto para aquela vila, que muitos já passaram a chamá-la de Vila São Bento. ( Nos livros do Cartório de Registro Civil de Novo Cruzeiro, de propriedade do Sr. Moacyr Aleixo, consta que o nome Vila Gravatá permaneceu até a emancipação). O nome de “Vila São Bento” não era oficial, era uma denominação popular advinda da fé católica.

No início da terceira década do século XX ocorreu um fato que marcou para sempre a história do lugar, a construção da Ferrovia Bahia/Minas. Os trilhos chegaram em 1924, e a vila, de menor expressão tomou um novo rumo tornando-se um centro comercial, atraindo comerciantes vindos de outras regiões, entre eles, várias famílias turcas, Chain, Lauar, Mussi, Barrack, Faid e outras. Na década de 1930 já ultrapassava a vila do Bom Jesus do Lufa em habitantes e no progresso. Outro marco importantíssimo iniciado nessa mesma década foi o surgimento da primeira escola, localizada no centro da vila, funcionando em um salão com duas turmas e tendo como primeiras educadoras Antonieta Lopes e sua irmã Ina Lopes. Fundação que passou a Escolas Reunidas São Bento em 1944, sendo diretora e também professora a senhora Carmem Silvia Mendes Lages, as professoras Maria do Rosário Nogueira Reis, Maria Adelaide Xavier e Ana Leopoldina Esteves Lima. Em 1946, tinha como diretora a Srª Serafina Esteves Lima e passou a Grupo Escolar Inácio Murta, em homenagem ao pai do primeiro prefeito, Sr. Mário Moreira Murta.

Durante os anos quarenta, o comércio crescendo, a produção atingindo índices mais elevados, os trens da Bahia/Minas escoavam produtos e traziam cultura, muitos já tiveram acesso á educação, rádio, jornal e informação oral. Dentro desse novo contexto cultural formaram-se grupos de intelectuais que já discutiam a possibilidade de emancipação do distrito. Entre eles, estavam: Sr. Júlio Campos, Sr. Olímpio Alves, Sr. Mário Murta, Sr Quintino Gomes, Sr. João Alexandrino e outras pessoas de renome.

Em 31 de dezembro de 1943 pelo Decreto Estadual nº 1.058, a Vila Gravatá tornou-se emancipada da cidade de Araçuaí. Reunidos em assembléia, no dia 01 de janeiro de 1944, cuja pauta era dar novo nome ao município recém criado. Estava muito difícil de chegar a um consenso, cada um tinha uma opinião.

As pessoas ainda estavam-se acostumando com a nova moeda brasileira, o Cruzeiro, criada em novembro de 1942, em substituição ao Reis. Não tinham o hábito de falar “moeda,” pronunciavam “dinheiro.” Diante da situação o Sr. Olímpio Alves fez um discurso com palavras que se aproximavam destas: “Estamos com um novo dinheiro circulando pelo Brasil afora. Ele chegou para melhorar nossas vidas, reduzir a miséria dos mais necessitados. Para que nossa terra tão querida seja próspera e que caminhe rumo ao progresso junto com o Cruzeiro, esse novo dinheiro, que ele nunca há de faltar para nossa gente, nada mais justo que nosso município receba o nome de “Novo Cruzeiro.”

Os demais integrantes da assembléia não tiveram palavras, e por unanimidade, aceitaram o nome sugerido.

Assim, foi surgindo o que hoje é Novo Cruzeiro. De uma pequena vila com intensa atividade agrícola e comercial, através da ação de muita gente que fez de seu trabalho um objeto maior, nasce uma cidade, que permaneceu com aspecto de interior:

(Fragmento da dissertação de mestrado do professor Pablo de Souza Oliveira) (…) “Os imóveis margeavam a linha férrea. As ruas eram pouco transitadas por pedestres ou veículos. Essa calmaria era quebrada nos horários de passagem do trem que rompia o silêncio e movimentava a avenida com as pessoas que chegavam ou esperavam para viajar ou receber ou enviar encomendas, além dos carregadores, quitandeiras e pessoas que chegavam às portas e janelas para ver o movimento”(…)

Nos anos sessenta já existia uma diferença de identidade entre as pessoas da cidade e do campo.

Em 1962 o prefeito José Moura criou o jornal da cidade (O Novo Cruzeiro) que circulava quinzenalmente. Já podiam contar com Cine-teatro que exibia filmes, apresentação de bandas locais e peças teatrais. A matriz de São Bento sempre foi a igreja mais frequentada. Após as missas, aos domingos, frequentemente tinha leilão e barraquinhas. No mês de julho já realizava a festa do padroeiro, São Bento, onde se encontravam pessoas das roças e da cidade.

No ano de 1966 aconteceu o que nenhum neocruzeirense gostaria que acontecesse, a Ferrovia Bahia/Minas foi desativada, seus trilhos foram arrancados. Além da perda do trem, que fazia parte do cotidiano das pessoas, perderam também muitos amigos que eram funcionários da rede e foram transferidos para outras regiões. Até hoje a ferrovia ainda permanece no imaginário de cada um.

Novo Cruzeiro localiza-se no Médio Jequitinhonha, região hostil, muitas pessoas partiram em busca de melhores condições de vida nos grandes centros. Outras resistiram, seja por falta de recursos, ou por amor à terra. Formaram uma população de cor forte que construiu com sangue e suor muitas maravilhas que compõem nosso patrimônio histórico e cultural.

Mas como não poderia ser diferente dos outros municípios do Vale do Jequitinhonha, também tem uma forte influência cultural, seja no artesanato, nas festas populares, nos costumes do povo e também na fabricação artesanal de doces, queijos, requeijões, goma (polvilho), farinhas e cachaça de qualidade, que mesmo com todas as dificuldades tem mantido vivas essas tradições culturais.

O cartão postal da cidade, que todos zelam, é composto pelas antigas construções da, já desativada, Ferrovia Bahia/Minas que percorreu pelo município passando por povoados e comunidades e ainda estão preservadas as suas estações.

Aos sábados, a cidade engrandece com a tradicional feira no mercado. Onde se encontra de tudo um pouco, porcos, galinhas, verduras, frutas, queijos, doces, farinha, cachaça e o mais famoso corante extraído do urucum, etc. Sem falar que é o momento em que os pequenos produtores se encontram para trocarem experiências, fazerem negócios e reverem seus amigos. É uma verdadeira harmonia entre esses trabalhadores rurais e seus costumes que foi passando de pai para filho e remonta décadas.

Novo Cruzeiro hoje é formado pela sede e os distritos de Lufa, Queixada e Lambari. É banhado pelo Rio Gravatá e tem uma população de 33.351 habitantes. Com seu povo hospitaleiro, Novo Cruzeiro, todos os anos, recebe pessoas de vários lugares do país que vem prestigiar nossa cultura, se divertir e rever parentes e amigos na tradicional festa: “O Festival da Cachaça.”

Novo Cruzeiro é sede da Comarca que atende os seguintes municípios:

Caraí;

Catuji;

Itaipé;

Novo Cruzeiro.

Fórum

Endereço: Avenida Júlio Campos, 201
Bairro: Centro
Cidade: Novo Cruzeiro
Estado: Minas Gerais
CEP: 39820-000
Telefones:

  • Telefone direto : (33) 3533-1296
  • Telefone direto : (33) 3533-1338

Para chegar em Novo Cruzeiro, saindo de Belo Horizonte, basta pegar a BR 381 no sentido de João Molevade e seguir até Governador Valadares, pegar a BR 116 (Rio/Bahia) no sentido Bahia. 60 Km depois de Teófilo Otoni, convergir a esquerda seguindo a MG 211, destino a Novo Cruzeiro.

Sequência de prefeitos:

Mário Moreira Murta – 1944 a 1946 (Nomeado prefeito pelo interventor federal do Estado de Minas, Sr. Benedito Valadares Ribeiro)

Quintino Gomes-1946 a 1950

Júlio da Silva Campos- 1950 a 1954

João Alexandrino- 1954 a 1958

José Moura- 1958 a 1962

Dr. José Teobaldo Leal-1962 a 1966

João Matias -1966 a 1970

Antônio Luiz dos Santos-1970 a 1974

Francisco Esteves Lima e Joaquim Maravilha dos Santos -1974 a 1976

Raimundo Nonato Neiva Lages (Mundico)-1976 a 1982

Paulo Afonso Nogueira Viana -1982 a 1988

Joel José de Carvalho e Pio Wilton Sant’ana Guedes -1988 a 1992

Paulo Afonso Nogueira Viana – 1992 a 1996

Serafim Coelho de Oliveira -1996 a 2000

Antônio Marcos Mahmud Nedir – 2000 a 2004

Sebastião Coelho de Oliveira (Jason) – 2004 a 2008

Sebastião Coelho de Oliveira (Jason) – 2008 a 2012

Alguns casos de Novo Cruzeiro

A CHEGADA DA FERROVIA BAHIA/MINAS

Estava tudo pronto, só esperavam o dia em que o trem chegasse pela primeira vez.

Havia diversos trens: o pagador, o carregador de dormentes, lenha e outros materiais. Havia também aquele que conduzia passageiros, uma máquina com cinco ou seis vagões. A esta davam o nome de horário, pois tinha hora certe de chegar. Mas aquele povo caipira não sabia falar horário, eles falavam oral.

Estava já programada a chegada do horário e todo o povo já estava esperando na estação. Mas quando o trem apitou lá no Triângulo, o povo começou correr, gritar e desmaiar. Quando foi se aproximando da estação, apitando, fazendo aquele barulhão, aí é que foi o alvoroço…Uns gritavam, corriam, outros caiam de joelho com as mãos estendidas gritando: “É o Santo Oral!!! Bença Santo oral!!…

Bem os anos se passaram. 15 anos depois, uma menina da roça, com oito anos de idade, ainda não conhecia o trem, sua mãe a trouxe para conhecê-lo. Quando estavam chegando na Boca do Corte, o trem deu um apito. Ela gritou: “Mãe! Isso é o jumento da vovó que está urrando? Sua mãe respondeu: não filhinha, isso é o Santo Oral.

Autora: Dª Pedrelina Rocha de Jesus. _Retirado do Livro Coletivo do Povo de Novo Cruzeiro

A CABRA QUE DEU A VIDA PELO FILHO

Na época que os trilhos da Bahia/Minas atravessavam Novo Cruzeiro, era comum animais de várias espécies trafegarem livremente pela ferrovia.

O trecho que hoje situa-se entre a delegacia e a Escola Dom José de Haas, na época concentrava um grande prostíbulo e muita sujeira. As pessoas defecavam tranquilamente nos barrancos da estrada. O que se via era cocô de gente misturado com de porco, cachorro, cabrito…

Um dia o trem estava vindo do lado de Araçuaí e ao virar a curva e aproximar-se perto de onde hoje está a lavanderia começou a apitar. Acho que nenhum dia o maquinista apitou tanto igual aquele. As pessoas começaram a sair para ver o motivo de tanto barulho. Foi aí que viram que na frente do trem estava um cabritinho todo assustado e sua mãe cabra berrava feito uma louca sobre o barranco. A pobre cabra ao ver o filho em apuros fez o que qualquer mãe faria em seu lugar. Pulou lá das alturas para tirar seu filho, só que a coitada não teve sorte, ao pular escorregou-se em um enorme monte de matéria fecal humana que alguém acabara de depositar. Desequilibrada, o máximo que ela conseguiu foi bater a cabeça em seu filho e tirá-lo da frente do trem, mas seu corpo foi totalmente triturado pelas rodas da locomotiva. Por esse motivo várias pessoas mais antigas chamam aquele local de “Curva da Boda”

Colaboração: Darcilene Rocha

O PRIMEIRO PAR DE SAPATOS

O Sr. Manoel Bento disse que quando usou sapato pela primeira vez tinha lá uns 14 anos. Ele disse que juntou um dinheirinho e falou para sua mãe que iria realizar seu maior sonho, comprar seu primeiro par de sapatos. Um rapazinho morador de uma outra grota ficou sabendo e mandou avisar que seus pés havia crescido e que tinha um par de sapatos em ótimo estado, porém não os serviam mais, e que queria vendê-los. Sr. Manoel saiu de casa de manhã para comprar aquele calçado tão sonhado. Sua mãe fez almoço, esperou e nada dele chegar. Já era tardezinha, armando um chuvão danado e nada de Manoel chegar. De repente ele apareceu todo cheio de pompa olhando somente para baixo. Sua mãe aflita foi logo perguntando-lhe:

_Isso é hora de chegar seu danado!!

_Desculpa, mãe, respondeu, Manoel.

_Então qual o motivo de tanta demora?

_Sabe, mãe, é que a cada 50 metros que eu andava, eu voltava para ver meu rasto na areia!

Colaboração: Sr. Manoel Bento

ENGANO DO ESPELHO

Dª Virgília, mãe do Sr. Manoel Bento, era tão parecida com sua irmã Joana que acabaram se confundindo em um espelho. As duas irmãs, muito unidas, viviam sempre juntas. Moravam na Comunidade do Córrego Acode a Chuva, sempre levavam uma vida simples, sem mito luxo. Eram acostumadas pentear seus cabelos olhando em pequenos espelhos que refletia apenas o rosto. Certa vez elas foram viajar para Bom Jesus da Lapa, na Bahia. Ao chegar na primeira parada, próximo a Teófilo Otoni, as duas desceram. Dª Virgília seguiu na frente, quando chegou ao banheiro, viu aquele enorme espelho que refletia todo corpo. Ela olhou muito assustada e disse:

_Uai cumade, como que cê conseguiu entrar aí?

Colaboração: Lurdinha Paixão

O REZADOR PARA MULHERES GRÁVIDAS

No distrito de Queixada a vida por lá não era nada fácil. As mulheres quando engravidavam não faziam pré-natal. Contavam era com as orações do Sr. Abílio. Assim que a mulher aproximava da hora do parto, ele era requisitado para passar uma temporada em sua residência para orar e pedir uma boa hora.

Certa vez um fazendeiro buscou Sr. Abílio para cuidar de sua esposa, pois a mesma já estava entrando no nono mês de gravidez. E lá foi ele com seus patuás de orações. Como era de costume, todos os dias ele pegava os papéis manuscritos e rezava até falar que chega e sempre dizia que se tratava de rezas fortes e que ninguém poderia ter acesso, além dele.

Lá um certo dia chegou um outro fazendeiro aflito e dizendo que sua esposa já se encontrava em trabalho de parto e que necessitava de sua ajuda. E lá foi ele mais uma vez. Aconteceu que durante sua ausência a mulher que já se encontrava em seus cuidados também entrou em trabalho de parto. Aflito, seu marido disse:

__ Seu Abílio vai me desculpar, mas vou pegar suas orações e usá-las pois não tem outro jeito. Pegou aquele patuá, chegou perto de sua esposa aos gritos, abriu e quase caiu. Encontrou os seguintes dizeres: “Enquanto eu tiver roupa lavada para vestir, comida boa para comer e cama para dormir, pouco me importa se a égua pariu ou deixou de parir.”

Colaboração: Bruno Chain

A CACHORRINHA E A ONÇA

O Sr. Zé Barrack afirma, com toda certeza, que é pura verdade o caso que vou contar.

Seu pai o Sr. Antônio Barrack, morador de Novo Cruzeiro, além de posseiro de grande extensão de terras, também era bom caçador de onças.

Em uma de suas propriedades, no Córrego da Consulta, apareceu uma baita de uma pintada, bastante faminta e toda noite visitava um galinheiro ou saciava-se com porcos de engorda no chiqueiro.

Indignados com a situação, os moradores da comunidade pediram ajuda ao mestre em caçadas. Para garantir boa captura à presa, ele decidiu pedir emprestada a seu compadre a competente Chulinha, cachorra que além de bom faro, enfrentava uma felina cara-a-cara.

Em uma manhã de domingo a matilha foi solta no rasto da fera e Chulinha, como era de costume, apartou-se dos demais cães e desapareceu no interior da mata. Pensaram que a cadela havia transformado em comida de onça. O proprietário dela exigiu uma vaca parida como pagamento, pois perdera sua cachorra de estimação.

Passaram-se trinta anos e o filho do caçador o Sr. Zé Barrack, recém casado, e herdeiro daquelas terras decidiu derrubar a mata virgem para o plantio de café.

Lá um belo dia, era umas duas horas da tarde, o compadre Sebastião ao deparar com uma enorme árvore de peroba, quase sentiu um ataque em conseqüência do que viu. Chamou Sr. Zé Barrack e os dois juntos constataram o que muitos não acreditam. No pé da árvore estava o esqueleto de Chulinha que morreu vigiando a onça e em um galho estava o esqueleto da onça que morreu olhando para baixo e não desceu de medo da brava Chulinha.

Colaboração Sr. Zé Barrack

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